Foi-se o inverno! O sol surgiu mais rubro... E indulgente para despertar a morta Natureza, E em seu loiro esplendor cor e alma lhe deu Vestindo-a de princesa! Pudesse eu como tu vagar no alto mar Dos séculos sem era ... Passa o Inverno e voltas mais bonita, Mais cheia de perfume, Ó Primavera! Da minha vida O sol morno de Abril e o quente sol do Estio Apartando-se vão Com asas milhares! ... Sem apelo o Outono virá, Depois o frio Inverno Para cobrir de neve o meu cabelo ... Então contemplarei na histórica ruína de meus anos O Terno ressurgir de muitas primaveras ... Chegará a seu termo a mocidade, Mas que importa, Se da vida o Inverno será um passo mais Para a longa viagem rumo ao País Eterno?! Voltam as Estações no seu rodar infindo , Eu arbusto serei... Para que nos ramos meus as graças mil de Deus construam ninho. Então a Primavera nunca mais terá fim... Porque as bênçãos do Céu são pétalas, são flores, Irreais? Sim,... Mas flores, AS FLORES DO MEU CAMINHO!
Hoje, voltas-me o rosto, se ao teu lado passo. E eu, baixo os meus olhos se te avisto. E assim fazemos, como se com isto, pudéssemos varrer nosso passado.
Passo esquecido de te olhar, coitado! Vais, coitada, esquecida de que existo. Como se nunca me tivesses visto, como se eu sempre não te houvesse amado
Mas, se às vezes, sem querer nos entrevemos, se quando passo, teu olhar me alcança se meus olhos te alcançam quando vais.
Ah! Só Deus sabe! Só nós dois sabemos. Volta-nos sempre a pálida lembrança. Daqueles tempos que não voltam mais!